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Sexualidade  
Direto ao Ponto
Confira algumas perguntas da Coluna sobre sexo. Quem sabe sua dúvida está aqui?

- Por mais que tente não tenho prazer em fazer sexo com meu marido. Ele percebe e cobra isso de mim, além de que eu também quero sentir. Será que tenho algum problema? Devo ir ao médico?

 

O orgasmo feminino é uma sensação difusa, agradável e relaxada que vem quando no encontro sexual partes do corpo são estimuladas ou mesmo quando somos sensorialmente estimuladas. Uma lembrança, um perfume, uma música são suficientes para darem o inicio do processo de excitação. A partir do momento que você começa uma relação sexual esperando o orgasmo você já está interferindo racionalmente nas suas respostas sexuais. Eu te sugiro que, quando estiver com seu parceiro, não se preocupe com o orgasmo, mas deixe fluir todas as sensações do momento e sinta-se verdadeiramente livre para dar vazão aos seus pensamentos e desejos mais instintivos que surgirem. Nosso desejo sexual é uma das forças mais intensas do desenvolvimento, porém muito frágil e suscetível a qualquer interferência da mente. Então imagine começar uma relação sexual preocupada em sentir algo, já é o primeiro passo para não sentir nada.

 

- Namorei durante 9 anos. Como morávamos longe, morríamos de saudades um do outro e quando nos encontrávamos a cada 15 dias era só alegria. Esse ano decidimos nos juntar. O problema é que agora a gente briga demais. Tudo é motivo! Eu odeio a mania dele de bagunça e ele odeia que eu fico atormentando ele para deixar a casa em ordem. Será que o nosso amor acabou? A nossa vida sexual que era boa está péssima, todas as noites dormimos brigados.O que faço?"

 

Desde as histórias da carochinha até as novelas de hoje em dia, quando as pessoas se apaixonam e se encontram ficando juntas para sempre tudo são flores ,alegria e prazer. Isso é muito cruel, pois é nesse momento que a história realmente começa e como em todo começo, os acertos, o trabalho de construção é necessário. O que parece é que na distância, cada encontro era recheado pela saudade e paixão. Na convivência com o outro real, no dia a dia, exige uma grande dose de investimento e de esforço. Claro que não estou falando em sacrifício, mas sim em enxergar seu companheiro como uma pessoa normal que pode, às vezes não satisfazer suas expectativas e que, diante de algo maior, que é o desejo de construir uma vida a dois, aparem as arestas conjuntamente. E, convenhamos, as suas queixas são muito mais de ordem prática do que afetiva. Será que não está faltando um pouco de boa vontade ambas as partes, o que uma boa conversa num momento agradável pode resolver!

 

- Tenho 14 anos estou namorando há quase um ano e quero transar com ele, já conversamos sobre isso. Mas têm uns problemas: meus pais não podem saber, então não tem como eu ir a um ginecologista para ver o remédio certo para mim. Eu queria saber se preciso tomar anticoncepcional todos os dias ou posso tomar aquele do outro dia, após a relação? Porque têm muitas meninas que estão engordando e tal pode dar algum problema em tomar remédio sem ir ao médico, mas no meu caso não dá mesmo para ir ao médico. Você poderia me ajudar ou então me fala outro jeito de me prevenir sem remédio. Por favor, espero notícias e obrigada.

 

Sua carta mostra o quanto as meninas de sua idade estão despreparadas para o

sexo. Não que não possam ter vida sexual, mas é importante que essa experiência tenha um sentido, além dos cuidados necessários para uma primeira relação, na qual a visita a um ginecologista seria indicada para tirar suas dúvidas e orientá-la melhor. Quanto à utilização de preservativo ou pílula anticoncepcional, não há

maneira de fugir, pois gravidez em época inoportuna e doenças sexualmente

transmissíveis são fatos e de conhecimento geral, ao passo de que a pílula do dia seguinte a qual você se refere não é a maneira mais sóbria nem inteligente de evitar a gravidez. A questão que você traz em relação a pílula é desinformação total e o que engorda é comer muito e não praticar exercícios e gravidez.  Converse com seu namorado e conjuntamente achem uma solução para que sua primeira experiência sexual seja feita de uma maneira que só te deixe boas recordações.

Como eu já disse, a visita a um médico seria o ideal, mas se não for possível, fale com o agente de saúde de seu bairro, na policlínica ou em algum farmacêutico que você tenha confiança. Apesar de condenar a automedicação, aconselho a não abrir mão da pílula e do preservativo. Hoje as pílulas anticoncepcionais não são caras e

sua mesada, com um pouco de sacrifício, se necessário, dá para comprar. E se você se dirigir ao serviço de saúde de seu bairro, provavelmente, além de encontrar um profissional que te oriente também terá o anticoncepcional para ser dado, se for o caso. Pense nisso, não aja por precipitação e leia no meu site um artigo escrito sobre virgindade e primeira vez.

 

- Sou um rapaz ativo, mas tenho necessidade além do normal. Será que tenho algum problema? Não sou casado, mas tenho meus casos. Já saí com mulheres casadas e foi complicado para mim. Fica minha dúvida. Isso é normal para meu corpo fazer tanto sexo?

 

Caro rapaz, fica difícil quantificar o que é fora do normal para você, mas se o seu desejo sexual ocorrer num número de vezes que não atrapalhe seu cotidiano, quero dizer, sua concentração no trabalho ou nos estudos, provavelmente é normal pois  pela sua juventude como os hormônios estão a toda e o físico no seu momento mais vigoroso, eu diria até que é sinal de saúde. Um rapaz solteiro terá sua vida sexual com as pessoas pelas quais se apaixonar ou sentir atração e isso não é pecado nem errado, pois na sua mensagem eu percebo uma certa culpa em ser assim, como descreve.

Por outro lado ter afeto ou atração de maneira leviana, não comete erro, mas sem dúvida vive sua sexualidade sem exercitar o que de melhor podemos tirar dessa experiência, que é a possibilidade de vincular-se e descobrir alguém que o complete e o faça feliz, o que não ocorre, por exemplo, quando sai com uma mulher casada. Não vai aqui nenhum discurso moralista, mas sim uma opinião visando que se tenha uma vida sexual prazerosa e direcionada para a construção de um ser mais pleno e realizado.

 

- Oi, estou sem saber o que fazer! Tenho um marido muito ciumento, por isso me faz passar por situações constrangedoras. Desconfia de mim, o tempo todo, controla todos os meus passos no trabalho no horário de almoço, final de expediente, em casa, ao ponto de não poder abrir janelas, achando que dou frete ao vizinho, enfim...Ele me sufoca, quando chego do trabalho, já teve dias dele me revistar, abrir minhas pernas p/olhar. Eu estou sem saber como agir, me ajude!!!

 

Imagino como deve ser difícil sentir-se vigiada e cerceada de sua liberdade. Ciúmes enquanto cuidado, pode ser demonstração de amor, mas quando ultrapassa os limites da individualidade, como é o seu caso, torna-se caso de psiquiatria. Vale a pena tentar falar com seu marido, num momento em que estejam bem, mostrando-lhe o absurdo de suas ações e como esse comportamento, faz com que você se sinta humilhada, agredida e casos de amor ao agressor são fantasias que nunca se realizam. Provavelmente ele tenha a necessidade de sentir-se poderoso e ter autoridade sobre você, o que convenhamos não é ideal numa relação afetiva e amorosa.

Pela sua carta dá para notar que você é independente, trabalha e isso pode ser ameaçador ao seu marido, por talvez se sentir numa posição social e profissional inferior que a sua, mas nada que justifique tanto ciúme. Defendo sempre que antes de abandonar uma relação tente salvá-la desde que isso não te violente, pois submeter-se à revista física, e ter seus passos controlados mais do que violência caracteriza uma total falta respeito e o respeito ao outro é o principal ingrediente de uma relação equilibrada. Um conselho sincero que lhe dou é de fazê-lo ver o absurdo de suas ações e como isso depõe contra ele em todos os sentidos e convencê-lo a fazer um tratamento.

O ciumento desse grau é sem dúvida uma pessoa doente, que não tem a mínima confiança em si mesmo e acaba sendo a maior vitima dessa história, pois você tem a liberdade de sair fora quando não suportar mais e o ciumento estará sempre preso nessa armadilha que ele próprio criou.

 

 

- Porque às vezes precisa baixar uma entidade, incorporar a pomba gira para a vontade de transar aparecer e acompanhar o marido?

 

Essa sua pergunta me enseja a falar de algo ainda muito complicado e difícil de viver naturalmente, estou falando do direito que a mulher tem de exercer sua sexualidade com liberdade e segurança. Qualquer pessoa pode estar se dizendo que isso é papo furado, pois desde os anos 60 as mulheres estão totalmente liberadas e isso não é verdade.

Ainda hoje as mulheres têm a idéia de que o único beneficiário de uma vida sexual prazerosa é o homem e a nossa cultura reforça isso, mesmo você que acredita ter direito me diz que não sabe entrar em contato com seu desejo e colocá-lo em prática.

As meninas são criadas, tendo como parâmetro um homem para quem tudo é permitido e que a elas só resta aceitar a submissão. Essa é a verdade que está no inconsciente feminino, impedindo que as mulheres usufruam também de seu corpo e de seu parceiro com carinho e cumplicidade achando que estão apenas cumprindo um dever. Perceber que seu corpo reage aos estímulos sexuais e permitir-se viver isso com foco no seu prazer e não em obrigações ou papéis definidos, ajuda que entre em contato com o mais íntimo de seu ser e reconhecendo o seu direito e potencial sexual seja dona de sua trajetória usufruindo de sua sexualidade com alegria, prazer e encontro com a pessoa por quem tem afeto.

 

- Tenho 17 anos e conheci um homem de 38 anos, com quem comecei a fica depois de 3 dias. Nos conhecíamos há um mês, quando ele me disse que ia marcar o casamento dele com a noiva, que eu nem sabia que existia. O problema é que eu curto ficar com ele, e mesmo sabendo que o casamento está chegando e depois de conhecer a noiva dele eu nunca digo não. Ele pode ser meu pai e eu não consigo parar de vê-lo.

 

 

Sua carta me mostra que você está entrando nesse relacionamento com envolvimento e com um certo romantismo, que não é a mesma sintonia dele, além disso tem uma questão ética que, em sua juventude, talvez ainda não seja notada. Essa é na verdade a grande diferença entre uma relação saudável e outra dolorosa e não a idade de vocês. Embora não se reconheça, existe um ritual dos homens quando estão prestes a abandonar a solteirice, viver e experimentar situações que dêem um certo frenesi ou uma emoção mais forte. Isso deixa claro que ele já fez a história dele, pois aos 38 anos ele já experimentou muito.

Entregar-se para a paixão é tudo de bom, mas é uma temeridade, um perigo mesmo que você atrele sua vida a essa história da qual não faz nem fará parte, sob pena de sofrer muito.

Portanto, agora em que está questionando isso, talvez seja o momento, pois aos 17 anos você ainda tem muitas possibilidades de vida, afetiva e amorosa, em relações que contribuam para seu desenvolvimento e conhecer um cara legal, se apaixonar e construir uma história em comum vai te fazer mais feliz.

 



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