Minha filha tem 13 anos e já começa a olhar para os meninos na rua, além de dizer que é bastante paquerada. Apesar de ter pavor de vê-la se envolvendo sexualmente com os meninos meu maior receio é saber que ela pode banalizar o sexo. Vejo as pessoas fazendo disso uma coisa sem valor, como se fossem na venda comprar uma bala. Quando a vejo sair com tantas roupas justas ou decotadas - não a proíbo - mas falo que ela ficaria muito mais bonita com um outro tipo de roupa - chego até comprar várias lindas para ver se ela muda, mas não tem jeito.
Acho muito importante saber que ainda tem mães que não desistem de ensinar os seus valores familiares, culturais e sexuais, pois a cada dia mais vemos mães dizendo aceitar tudo, pois essa é a norma nos dias de hoje ou que não conseguem controlar suas filhas adolescentes.
Não estou dizendo que se deve ser alienado e fechar os olhos para a modernidade, mas diálogo, sinceridade, inclusive em expor sua fragilidade, medos e dúvidas é o caminho mais simples e direto de se aproximar de sua filha.
Não adianta também proibir, coagir nem vigiar, mas esclarecer, explicar para ela, dizendo os seus motivos, citando exemplos, você fará com que sua filha construa, ela também seus valores morais e éticos, para não se violentar.
Uma garota de 13 anos está na fase em que gosta de impressionar os meninos, mas ainda não tem escopo suficiente para isso, e as noções de responsabilidade e cuidado com seu próprio corpo são ainda muito frágeis e sofrem uma grande influência do meio.
Outro aspecto muito sério sobre o aprendizado dessa sexualidade vulgarizada e banalizada é a falta de valor que se está dando para o afeto
Não estou falando do amor para toda vida, mas de um sexo que reflita a ligação sincera entre duas pessoas. Vale a pena você se orientar sobre isso e ter sempre um canal de comunicação com sua filha e tb com as amigas dela,porque não??
Infelizmente são muito poucas as mães que valorizam esse aspecto na educação e desenvolvimento de seus filhos, meninos ou meninas.
Casado há dois anos, só sente prazer quando sou dominado pela minha esposa. Mas não digo isso pra ela, acho que pode ser uma doença. É normal, sentir prazer apenas com a dominação? Como eu digo isso pra ela sem chocar? Preciso de algum tratamento?
A sexualidade é um assunto, altamente significativo, muito mais pelas proibições e tabus do que pela sua vivência simples e descontraída. Por isso, percebe-se uma tendência a torná-la objeto de regras onde o certo e o errado estão cada vez mais presentes.
Pois é! O discurso corrente ainda é o de que só é feliz quem está dentro dos padrões, como se nessa vivência pessoal - que é a da nossa sexualidade – existisse um padrão.
E se isso fosse real, todos nós seríamos inadequados ou culpados em algum momento, pois sexualidade tem dezenas de aspectos com pontos cegos, dúvidas e dificuldades, O que são fantasias sexuais senão aspectos do jogo erótico? E quantas culpas elas trazem quando existe a dificuldade de colocar o parceiro no jogo e, às vezes, até em admitir esses desejos?
Apesar de ser um aspecto a mais no estímulo do desejo, as fantasias sexuais não são absorvidas como necessárias, pois carregam o pejo de serem uma fuga da realidade, às vezes considerada dramaticamente, como traição por casais menos avisados, e isso não é verdade, pois são apenas mais um instrumento para a intimidade e para desenvolver códigos e padrões peculiares do casal.
As fantasias sexuais beiram o marginal, por não serem reais, são muitas vezes mal interpretadas pelo parceiro que não consegue entrar nesse jogo para se divertir.
Os rituais íntimos e os segredos entre os casais fortalecem a ligação e estimulam a cumplicidade e intimidade desde que ambos os parceiros usufruam do mesmo prazer leve e lúdico que as fantasias exercem.
Na minha casa ninguém me entende e pretendo parar de estudar Fui abusada sexualmente aos 14 anos de idade e me deixei levar pelo desânimo, mas tenho relações com meu namorado e ele nem sabe disso. O que devo fazer? Tenho 16 anos e acho melhor ir embora para sempre e abandonar tudo.
O que eu posso enxergar através de seu desabafo é uma solidão muito grande em que os segredos pessoais tomam uma dimensão muito maior do que na realidade são. Existem muitos aspectos que sua carta não esclarece e por isso vou generalizar um pouco, espero que eu possa te ajudar.
Em casos de abusos sexuais, que são muito traumáticos, a dor fica potencializada pela vergonha, portanto, percebo no seu relato e na maioria de casos de abuso, que a vítima acaba se boicotando e fazendo escolhas erradas em todos os aspectos da vida como se fosse uma expiação.
Portanto o que tem a fazer, o quanto antes é romper essa cadeia de escolhas e pautar a sua vida de uma maneira construtiva.
Sinceramente seu namorado saber do seu infortúnio, não muda nada, pois essa questão é sua e de pessoas que tem de algum modo relação de proteção e cuidado com você, no caso pais, parentes próximos ou professores que como adultos e responsáveis saberão dar um encaminhamento para você.
Esse seu desejo de fuga é uma tentativa de fugir de uma realidade sua que a acompanhará para onde quer que vá.
Sempre que temos medo de algum fantasma, basta acender a luz para saber que eles não existem e eu percebo que é isso que está faltando para você: a luz do amparo, da compreensão e também do colo para chorar e se aliviar de um peso que está carregando sozinha numa idade tão tenra em que o mundo fica grande e assustador demais. Siga esse meu conselho por mais difícil que seja e verá que tudo ficará mais fácil.
Minha vida se resume em conseguir um namorado, pois não tenho prazer em mais nada. Vivo na internet, aonde vou fico na busca. Apaixono-me por qualquer um que aparece e me oferece que migalha. Entro em profunda tristeza quando acaba, tenho 42 e me comporto como se tivesse quinze me apaixonando por qualquer um. Sei que preciso me equilibrar, mas estou compulsiva o que faço para conseguir desviar meu pensamento para algo construtivo?
Essa sua busca insensata por alguém para chamar de seu tem suas raízes muito antigas, época em que a mulher só tinha valor se tivesse sido escolhida por alguém, nem que fosse para ser infeliz, mas casar ou ficar solteirona era a ordem.
Não quero dizer que infelizmente você seja exceção, mas ainda muitas mulheres pensam assim.Para confirmar isso, vá a igreja e veja ,pois hoje é dia de Santo Antonio,considerado o santo casamenteiro.
Mas na prática isso mudou muito, pois a mulher solteira, pode ser sozinha, não solitária, ela tem vida própria,se da ao luxo de namorar pela internet e escolher ao invés de ser escolhida,sem estar eternamente buscando um casamento. Como está na moda reciclar eu diria que a mulher solteira está se reciclando.
Como você mesma diz aceita qualquer migalha, para se sentir importante, e essa relação está profundamente calcada num sentimento de desvalor.
Quanto mais busca e esquece de você, não valoriza seus predicados e seus anseios pessoais, mais difícil será arranjar um namorado. A real medida da qualidade de uma relação é o numero de trocas e eu percebo claramente e você o diz sem pudor que o que você quer é um namorado para te dar o que falta em você.
Qualquer homem, mais seguro de si, perceberá isso e cairá fora, pois os homens inteligentes também se reciclaram e esperam encontrar uma mulher para dividir com eles a alegria de viver numa relação de troca construtiva. Faça isso por você é assim se tornará apaixonante.
Parece-me que sua ordem está ao contrário só se imagina feliz se tiver um namorado. Inverta isso e verá que nem precisará buscar, pois ele cairá do céu.
Se apaixone e cuide de você...os outros perceberão.
Todas as vezes que tive relação com meu namorado nunca senti prazer e também não tenho lubrificação, qual será o meu problema?
(Kelly, 20 anos)
Vale a pena aproveitar essas três perguntas para falar de como é o orgasmo e de que tamanho é o orgasmo para desmistificar algo que deve ser vivenciado como uma brincadeira e não como uma guerra para a conquista de algo precioso.
Vemos na mídia e na sociedade em geral falar-se muito de sexualidade boa ou ruim usando como medição o desempenho, mas a sexualidade é uma vivencia íntima e pessoal, portanto, cada um acha sua medida e a sua necessidade.
O orgasmo na mulher tende a ser mais difuso, com uma sensação de bem estar geral e alegria pelo encontro,as contrações pélvicas são outro sinal. Refuto e critico falar-se de orgasmo como se fosse uma experiência cujo caminho é aprendido, pois o caminho do orgasmo é construído na relação em primeiro lugar da mulher com a sua própria sexualidade e na comunhão e com a entrega livre, espontânea e prazerosa ao parceiro.
A intensidade e a quantidade de orgasmo são pessoais e é conseqüência dessa entrega sem limites. Pode-se ter um, dois ou três orgasmos e também nenhum e isso não será a medição da qualidade do sexo.
Sexo bom é aquele em que as trocas são possíveis e essa possibilidade passa pela confiança e a liberação de seus próprios desejos. Uma pessoa que, por exemplo, estava numa relação desagradável e/ou infeliz, pode num encontro num momento de liberdade expressar seu reencontro consigo mesma numa vivência orgásmica intensa, independente de estar com um parceiro esporádico ou numa relação compromissada.
Acho muito importante ressaltar que o parceiro sem duvida é importante no encontro sexual, pois o amor, o vínculo sólido potencializa o prazer,mas o mais importante para deflagrar o orgasmo é o encontro consigo mesma e com seus desejos.
Parece simples falar disso, mas tanto por causa da nossa cultura, tanto pela religião e a nossa sociedade, para as mulheres esse aprendizado é bastante dificultado.
A permissão interna de se tocar, conhecer seu próprio corpo é o primeiro passado para reconhecer seus desejos e ir a busca da sua realização sexual.
As partes do corpo e a sexualidade possuem inúmeros sinônimos na língua portuguesa, aos que imaginam uma vitória óbvia para nádegas femininas, uma surpresa, o homem ainda é o centro da linguagem indecorosa;o pênis é uma das palavras com mais sinônimos no dicionário 369, contra 90 pra nádegas. Sexo também é curiosidade. |