Tem horas que o melhor mesmo é não acompanhar o que as pesquisas dizem, porque cada hora sai uma notícia diferente, que desmente a anterior. Primeiro era um estudo comprovando que pessoas com amigos obesos têm mais chances de engordar. Agora, um novo estudo comprovou que se seus amigos são magros, o risco também é alto.
Segundo os cientistas de uma universidade canadense, ao ver pessoas magras comendo, as pessoas se sentiriam mais tranqüilas para se jogar no prato também. Até tem lógica, mas, sinceramente, melhor desencanar dessas preocupações todas, porque selecionar amigos pelo que eles podem influenciar na sua dieta é um tanto esquisito.
Se o problema é manter o peso, o melhor é investir numa dieta balanceada mesmo. De repente fazer amizade com um nutricionista pode ser a melhor solução!
Eu li isso nessa semana e logo conectei minhas idéias com os inúmeros discursos de consultório onde ouço que o meu problema é o meu marido; eu não me realizei porque meu pai não me auxiliou; os meus filhos me impedem de realizar tal projeto e por aí vai.
Toda sorte de reclamações são comuns aos mortais, pois o que seria de nós se todos os nossos desejos estivessem realizados, mas que ainda supervalorizamos muito mais os desejos não realizados que são sempre encarados como uma perda. E o mais grave: sempre por culpa de outrem, eu não tenho dúvida.
Na área da sexualidade não é diferente. Porque meu parceiro ou parceira não é suficientemente carinhoso ou carinhoso, porque meu parceiro ou parceira não me dá atenção suficiente é a causa de muitas disfunções até mesmo desencantamentos amorosos.
Nesses anos em que trabalho com sexualidade, percebo que, de tudo o que defendo ou falo, o que mais causa estranheza, é quando digo que cada um ou uma de nós é responsável pelo seu prazer e realização independente do outro.
Não estou fazendo apologia do sexo livre tal qual nos anos 60, quando o mínimo de vínculo era valorizado, mas chamo atenção para o excesso de modelos idealizados que ainda permeiam nossa história e por muitas vezes, eu diria vezes demais, são responsáveis pelos desencontros ou sofrimentos e separações.
Esta semana ouvi de uma paciente, mulher jovem casada com um homem também jovem e bonito (em tudo um par perfeito), mas com sérios problemas de relacionamento, que o motivo gerador de todos os seus problemas conjugais era porque o marido não era o pai que ela sonhava para os filhos.
Vejam bem: o modelo de pai que “ela” sonhava, independente da realidade (até porque eu sabia que seus filhos e o pai se davam muito bem) não era o modelo que ela tinha para si como o ideal.
Quero mesmo é ressaltar que os nossos ideais precisam estar dentro de nós de uma maneira construtiva e agregadora. Principalmente quando falamos em relacionamentos familiares e que as diferenças são o melhor termômetro para avaliarmos a nossa necessidade não na luz de outro, mas sim e, principalmente, dentro de nossa necessidade agregada aos nossos projetos afetivos.
Com licença de todos vocês, alguns que talvez achem que o modernismo exige uma independência total, uma desconstrução de padrões; estou aqui fazendo apologia - e sem culpas ou medos - da boa e velha estrutura familiar, não como uma instituição inquebrantável, mas como uma célula afetiva que tem seus momentos de frouxidão, mas também um alinhavo perene que é o afeto a benquerença.
Bem, comecei esse artigo falando de amigos e grupos e para finalizar reafirmo que, independente das pesquisas, o melhor de todos os grupos é aquele no qual me identifico, percebo minhas diferenças e, apesar disso, tenho diversão e envolvimento.
Enfim construo a minha identidade para que, no seio familiar, eu seja não somente a mãe, a tia, o pai ou o avô, mas também a pessoa que tem suas características e sua plenitude reconhecidas como pessoa.
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