Nesse fim de ano, tinha a intenção de escrever algo ligado às luzes, ao sucesso ou, quem sabe, um manual de autoajuda, com regras simples de serem cumpridas.
Mas na vida também temos sombras e medos, situações que muitas vezes nos afogam e esquecemos que sabemos nadar.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma estimativa nada agradável de que a depressão será a doença mais comum no planeta em 2030, ou seja, nos próximos 20 anos, a depressão afetará mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo doenças cardiovasculares e câncer.
Poderia ficar aqui, nesse artigo, remoendo as mazelas e as causas que nos levam a tão trágica situação, mas prefiro passear por alguns dos muitos comportamentos que, creio, estão nos levando a tão caótica situação.
Esperamos da vida muito, tudo muito grandioso e, nesse sentido, abandonamos as pequenas coisas que nos enchem de amor, otimismo e por que não de esperança. Isso será uma causa?
Não posso afirmar, mas posso crer que as frustrações e decepções são sempre em função desse dado; não falo de esperar menos e se satisfazer e sim de dar valor ao menos sobre o mais.
Foi muito marcante e educadora para mim, uma entrevista que vi com o então prefeito de Nova York, Giuliani, que estava imerso em problemas em função da violência e, ao tomar posse em seu primeiro mandato, resolveu coibir delitos menores, aqueles que não eram ameaçadores e nisso foi muito criticado. Porém, nesse trabalho de formiga, acabou tornando a cidade numa das mais tranqüilas e seguras do mundo, apesar da sua imensidão.
Na sua simplicidade chique, os franceses fazem uso da ´petit bonheur`, que são as pequenas felicidades quer nos gestos para outrem ou mesmo nos pequenos presentes, dando mais significados aos gestos.
Em época de Natal, vale a pena relembrar isso, dar e se dar naquela lembrança, não apenas um presente material, mas algo que tenha um significado na vida de quem dá e de quem recebe, bem no estilo leva um pouco de mim e deixa um pouco de você.
Outra coisa que me chama atenção hoje é a questão da lágrima: ou se chora por tudo ou não se chora por nada. Não que eu creia que devemos chorar muito, mas chorar para expressar os sentimentos quer de alegria, tristeza, luto ou medo.
A lágrima hoje funciona muito mais como explosão, quando não se aguenta mais, quando já se exauriu o coração e a cabeça; aí a lágrima explode como símbolo da impotência e não da verdadeira emoção que se sente.
Segundo o psicólogo e pesquisador evolucionista, Oren Hasson, o choro tem um importante papel social no fortalecimento das relações interpessoais de aproximar, causar empatia, preencher o vazio do abraço e do olhar de apoio.
O choro é um comportamento exclusivamente humano e altamente evoluído, suas análises sugerem que as lágrimas abaixam as defesas, assim demonstram submissão e a ajuda se efetiva em momentos estratégicos da vida, assim como para demonstrar afeto, o que favorece a coesão do grupo. Temos essa ferramenta, mas ainda somos solitários.
E a solidão? Quanta solidão acompanhada!
Então renasçamos, a época está propícia para isso, mudemos cada um de nós a nossa maneira de nos relacionarmos com a nossa vida, nossa necessidade e, principalmente tomando decisões que, apesar de tudo, não são fáceis de serem assumidas.
Pois é! Eu queria falar de alegria, luzes e por que não de sexualidade? Mas creiam apesar do tom e do tema estou fazendo isso, pois a nossa manifestação mais erótica é aquela em que nos vemos no domínio de nossa própria vida e história, assim sendo o erotismo na sua essência, que é o prazer da vida.
Esse impulsor do erotismo como se conhece estará dentro de nós e a partir de nós contagiando os que nos cercam. É isso que vejo com as mulheres e homens solitários que encontro pelo meu caminho, são tão sem amor por si e toda a expectativa está em ser feliz ao encontrar alguém para dizer que é seu.
Essa busca quase frenética faz com que esse alguém não apareça ou então desvie e tome outro rumo, em direção de alguém que se goste e que ria da vida em seus dias de alegria e sucesso, como também em seus revezes, por se perceber com a capacidade de domá-los.
Então façamos como os remadores que, apesar dos ventos a favor, não chegam a lugar nenhum se não souberem o destino que querem tomar. |